Da lata a bomba como a gasolina e o automovel se encontraram
4 de maio de 2015
Como conseguiam os primeiros automobilistas o seu combustivel? Ja existia gasolina? O que veio primeiro? O carro ou a gasolina?
Inventar o principio do motor de combustao e em seguida construi lo marca um marco na historia do automovel. Descobrir qual combustivel usar e quase tao importante. Um requisito claro para um combustivel e que ele seja facilmente inflamavel. A gasolina, como a conhecemos hoje, ainda nao existia. No entanto, ja havia combustivel em outra forma.

Imagem 1: Bertha Benz abastece com combustivel na farmacia
O Benz Patent Motorwagen de 1886, o primeiro automovel de todos, funcionava com ligroina, um tipo volatil de produto de limpeza que so estava disponivel em farmacias. Esse produto era fornecido em grandes garrafas de vime.
Nos anos seguintes, quando a compra de um carro se tornou mais acessivel para muitos, a demanda por combustivel aumentou significativamente.
Um derivado do oleo bruto, o petroleo, revelou ser uma boa base para combustivel. Em muitas partes do mundo o oleo bruto era processado em diversos produtos, entre eles a gasolina. A disponibilidade nao era um fator limitante. A producao de combustivel foi iniciada e passou a ser explorada comercialmente. A partir dai, a disponibilidade mundial de gasolina cresceu rapidamente; no inicio ela era vendida em grandes garrafas de vime. Mais tarde, a gasolina passou a ser embalada em latas ou barris, que eram vendidos principalmente pelo comerciante de petroleo.
So por volta de 1920 o posto de gasolina comecou a se popularizar na Holanda. Considerando o papel que o posto de gasolina ocupa hoje em nossas vidas, seria de se esperar que sua invencao tivesse sido manchete mundial, mas nada disso aconteceu. Assim como o automovel, o posto de gasolina passou por um desenvolvimento gradual. Nos anos vinte a economia ia bem. Todos queriam aproveitar um pouco o aumento constante nas vendas de carros. Todo estabelecimento que se prezasse, como pensoes, hoteis, garagens e ferreiros de aldeia, instalava um posto de gasolina na porta. Estourou uma verdadeira febre de postos. No final dos anos trinta o mercado de postos de gasolina ficou completamente saturado. Havia entao uma densidade de uma bomba para cada quatro carros. Com a eclosao da Segunda Guerra Mundial isso chegou abruptamente ao fim.

Imagem 2: Bombas de gasolina no museu Louwman
Depois da guerra, a vida foi voltando aos poucos ao normal. No inicio, a gasolina era dificil de conseguir, mas isso melhorou rapidamente. As diferentes marcas travavam uma concorrencia acirrada, e os postos de combustivel ao longo das estradas principais nao serviam apenas para o fim a que se destinavam, mas tambem como meio de publicidade para a marca que vendiam. Em vez de deixar a venda de seus produtos a cargo dos intermediarios, a propria companhia petrolifera atuava diretamente como vendedora.

Imagem 3: Estacao Esso projetada por Dudok em Raamsdonksveer
A arquitetura destes postos de combustivel era muitas vezes pensada para chamar especialmente a atencao do cliente. Varios arquitetos holandeses conhecidos dedicaram-se a projetar postos de combustivel "funcionais". Willem Dudok, por exemplo, desenhou um posto para a Esso, do qual foram construidas ao todo 112 unidades. Apenas dois foram preservados, sendo que um deles fica no terreno da Louwman & Parqui em Raamsdonksveer.
A concorrencia entre as diferentes marcas era feroz. Havia varios tipos de gasolina, super e normal. A diferenca estava no indice de octanas, que indica a resistencia a detonacao. Quanto maior a resistencia a detonacao, mais o combustivel pode ser comprimido antes que ocorra a ignicao espontanea. Motores de combustao com alta compressao precisam portanto de um alto indice de octanas. Os diferentes produtores tambem promoviam aditivos que supostamente tornariam os motores mais economicos.

Recentemente foi lancado o livro 'Van blik naar pomp', escrito por Rutger Booy e Bas de Voogd. O livro descreve como a gasolina e o automovel se encontraram: uma fascinante busca em torno da venda de gasolina de 1885 a 1940.